quinta-feira, 21 de junho de 2012
quarta-feira, 13 de junho de 2012
acordei com uma lista de ~pessoas pra me desculpar~ colada na parede do quarto e tem tanta gente incrível que eu não fiquei assustado com quem está em primeiro lugar, quem está em último e as menções honrosas. no papel está escrito assim: #1 geraldinho, desculpa ter ido até a sua casa 11 da manhã perguntar à sua esposa se você não iria abrir o bar ontem, eu não sou alcoólatra, fui obrigado. desculpa também se eu quebrei alguma coisa de valor do bar, é que também fui obrigado a jogar sinuca. por quem, jamais saberemos.
PRIORIDADES na vida.
terça-feira, 12 de junho de 2012
tem essa oportunidade
incrível de estágio no site da puc. e o texto tá tão bem redigido, tão
maravilhoso, que essa oportunidade incrível nem tá parecendo a
última coisa que a galera lê antes de acabar escravo sexual num porão em algum
país escandinavo.
fato é que essa oportunidade
incrível me motivou a refazer o meu cv. e, gente, olha, nesses modelos
tosquíssimos de internet que eu-obviamente-não-baixei-estou-apenas-consultando
(risos eternos), tem esse espaço pra escrever as suas habilidades e, né, nessa
altura dos acontecimentos a única coisa que eu me permito escrever ali sem me
sentir um completo mentiroso, a única coisa que consigo dizer tranquilamente até para desconhecidos, a única coisa que, assim, tenho feito bem de verdade é automedicação.
sábado, 2 de junho de 2012
catarina morreu no domingo. o céu estava nublado, mas fazia muito calor.
eu poderia ter passado o último final de semana com ela e os outros, mas
escolhi ficar aqui por um motivo que agora não parece mais importante. na
verdade, foi mais uma bobagem sem tamanho para a lista das coisas que
tenho feito por puro desespero e burrice.
os cinco filhotes ficaram três dias internados e morreram, um por um, ao longo dessa semana. catarina, a mais agitada e carinhosa, foi a primeira.
à noitinha, logo depois das seis, no período em que eu tô acostumado a ouvir notícias ruins, mamãe ligou pra avisar. disse que foi de repente, sem razão aparente, mas que eu não precisava me preocupar porque essas coisas acontecem com a primeira ninhada mesmo, ela já tinha visto acontecer várias vezes.
depois, na segunda-feira, sem eu saber, o palito não pulou mais. aí foi o grandão que ainda não tinha nome, o que nasceu primeiro. na terça, só restavam a lelê e o kiwi com bolsas de soro e medicação maiores que os seus corpinhos penduradas numa haste.
na manhã da quarta, quando minha mãe finalmente me disse a verdade, eu desci a rampa do 42 segurando uma choradeira de respeito, dessas que você espera não mostrar a ninguém. e eu nunca desço pela rampa, mas do jeito que as coisas estavam as chances de eu rolar aquela escada em espiral eram particularmente grandes.
pelo estado em que cheguei à clínica a nova recepcionista já sabia quem eu era e me levou direto para a enfermaria, sem dizer nada. foi aí que desabou a choradeira vergonhosa que segurei tão bem enquanto voltava na sala para apanhar a mochila depois de ouvir da minha mãe que era melhor eu ir até lá assim que pudesse, e que também disfarcei tão bem no caminho até a portaria 12 da puc e no último banco do ônibus vazio.
ver aqueles dois, os dois últimos, respirando com tanta
dificuldade, os olhinhos sem brilho virados para o nada, aquele monte de
objetos de metal e aparelhos brancos, aquilo tudo me lembrou da morte da minha
avó e da minha covardia; dos dias em que eu a visitei e assisti tv sentado na
poltrona ao lado da cama, olhando de lado de vez em quando para conferir se a
linha verde continuava subindo e descendo no monitor; de como eu não conseguia
me concentrar nos textos da faculdade com o apito dos aparelhos; das poucas
vezes em que ela acordou, não me reconheceu e sorriu mesmo assim; de como
estava quente no luxemburgo na noite em que ela se foi; de como quase todo
mundo estava no quarto; da minha tia que chegou bufando pelos corredores com
uma meia de cada cor e o cinto afivelado por cima do jeans.
e, principalmente, de como eu preferi sair do quarto
quando todo mundo percebeu que os intervalos da respiração dela ficaram mais
longos e penosos até que ela aspirou sonoramente, com vontade, como se tivesse
acabado de subir um lance de escadas, e não expirou mais.
aí eu também lembrei da madrugada em que os filhotes nasceram e do
quanto, mais um vez, eu fui covarde e não consegui ficar no mesmo quarto onde tudo aconteceu. de como eu não ajudei, de como novamente eu deixei que outras
pessoas carregassem a minha parte.
na quarta, matando aula e estágio, ignorando o celular e aquela conversa da veterinária de que é melhor acabar com o sofrimento
deles, as pessoas que podiam me ver do corredor, firmando a mão
que tremia um pouco e balançava a mangueira do soro, tentando controlar o medo
paralisante que eu tenho da vida e de tudo isso, eu segurei as patinhas do kiwi
e da lelê e fiquei. dessa vez eu fiquei.
até o fim.
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catarina não morreu sozinha, ela ainda estava em casa, nos braços da
minha mãe, mas aposto que foi tão doído quanto se estivesse encolhida numa maca
da clínica, coberta com um lençol verde e fininho como os seus irmãos. catarina
levou com ela um pedacinho de nós dois, da confiança que a gente compartilhava.
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kiwi acabou resistindo. voltou pra casa ontem à tarde e está um pouco
melhor. hoje ele me acordou latindo lá de dentro da casinha que até semana passada ele dividia com
os irmãos.
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